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Desde cedo éramos (pelo menos eu) condicionados a acreditar que empresas que atendiam diferentes necessidades de clientes seriam bem sucedidas.

Isso porque acreditava-se que a decisão de abrir o leque para várias possibilidades de oferta de produtos e serviços, favoreceria as chances da empresa se perpetuar no mercado.

As chances são que, uma empresa que adote várias possibilidades, na verdade, não possui qualquer estratégia.

Se a essência de “estratégia”, por definição, é aplicar com eficiência os recursos de que dispõe, certamente ter vários caminhos a percorrer dificultará a aplicação desses recursos com eficiência. Logo, não há estratégia alguma e toda a energia foi dissipada.

Mas, o que isso tem a ver com o fato da minha empresa ter uma estratégia definida como de canivete ou de faca?

Canivete, no senso comum, é uma ferramenta que soluciona vários problemas. Já as facas são específicas e se apresentam como a solução de um problema também bastante específico, portanto, são mais eficazes.

Se pegarmos o exemplo de um bom churrasqueiro, certamente ele não terá um canivete, mas várias facas à sua disposição, cada uma para ser utilizada em cada etapa do seu churrasco.

Além de cutelos, trinchantes e a famosa “faca do chef”, os churrasqueiros possuem facas com a função de destrinchar, desossar e, finalmente, cortar as peças para o churrasco.

Portanto, um churrasqueiro até pode utilizar um canivete para cortar uma carne e fazer um churrasco, mas as possibilidades dele fazer um churrasco de excelência serão remotas, mesmo aplicando toda a sua habilidade.

Até mesmo a Victorinox, – empresa que fabrica o canivete suíço, o mais conhecido e consumido do mundo – quando surgiu no século XIX, atendeu apenas 1 público, com necessidades bem definidas, a partir de 2 versões: uma para os soldados e outra para os oficiais, mas ambos eram parte do exército suíço.

Hoje, quase 2 séculos depois, existem mais de 200 versões do canivete suíço à venda. O mais conhecido, o “Swiss Champ”, pesa 200 gramas e tem mais de 30 funcionalidades.

Apesar de ofertar tantas versões, a Victorinox, em sua essência, continua atendendo – líder isolada – exércitos do mundo todo, assim como no início de sua jornada, a ponto de não lembrarmos sequer, o nome de qualquer outra marca de canivete.

Se até mesmo a maior e mais conhecida fabricante de canivetes do mundo, NÃO adotou a “estratégia do canivete” para se consolidar e, só então, partir para diversificar seu portfólio, é melhor que a sua (e a minha) seja a “estratégia da faca”, ou seja, atenda com excelência as necessidades de um público específico. Assim teremos mais chances de acertar o alvo.

No mundo dos negócios, especialidade pode ser sinônimo de longevidade e isso é o que todos nós queremos.

Moisés Nóbrega Cofundador da Redde Consultoria

 

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